quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Justiça

Este é só para me limpar.
Tenho quer no 3 marcas, quer por email, quer por sms, reconhecido a importancia que as mensagens e as visitas que fui recebendo tiveram na minha recuperação, tudo isto é verdade.
Se calhar para não parecer muito lamechas, ainda não assumi publicamente que o maior esforço, a maior dedicação e devoção são pertença da minha mulher - I - de seu nome, que a par da beleza e inocencia do meu filho foram as molas principais, foram o carvão da locomotiva.

Nos momentos mais negros e escuros foi ela a luz que me guiou, eu até sou Homem para assumir que neste momento como nós costumamos dizer - já merece a estátua, já fez por isso, e até continua.

A verdade acima de tudo, tem sido incansável....grande máquina, e boa.....

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Para quem não viu ou não vai ver

Quem teve o prazer de me visitar no hospital ou em minha casa conseguiu ver os lindos ferros que tenho colocados na minha perna esquerda, mais bonitos que os do Niculae ou do Sá Pinto com certeza.


A minha querida mulher como boa cusca que é, conseguiu ainda no Hospital espreitar quando uma das fantásticas enfermeiras estava a fazer o penso, acho ou tenho a certeza que isto se passou com a Neide, a mesma que me tinha lavado o cabelo pela primeira vez, também foi ela que mo lavou no último dia, horas antes de sair com alta.


Porque os ferros ainda hoje estão tapados na sua base por pensos para proteger as minhas entranhas, como tal somente a familia tem visto esta maravilha da ciência.
Poderia acrescentar muito mais sobre as dificuldades que os ferros criam a muitas situações, são impeditivos de muita coisa.

Aqui á direita está uma imagem do pé direito onde se conseguem ver os pontos aí colocados pela equipa médica.
Ainda hoje tenho penso neste pé dado que a enfermeira ao tirar os pontos teve grande dificuldade tendo um deles ficado ligeiramente aberto, tipo buraquinho....

Nesta foto tão bem tirada por uma outra enfermeira consegue-se ainda ver em segundo plano os ferros do Animal. Ambas as fotos foram tiradas pelas mãos delicadas de enfermeira ( Cristina ou Ana penso eu ) com o meu resistente telemóvel, o mesmo que tem voado, capotado e eu sei lá mais o quê. Aqui fica o elogio público à Nokia.

Claro está que ambas as patas estão hoje com muito melhor aspecto, até já suportam o peso da besta, apesar de ser já bastante mais reduzido, não adianto números porque tenho a certeza que a redução continuará, só vendo para crer.

Não colocarei no 3 marcas nenhuma foto do autor novamente com barba, apesar dos insistentes pedidos de quem tanto gostou ou tem saudades, hoje com a barba feita pareço ainda mais novo..... gaba-te cesto....

Os colegas do Sofrimento III

Como referi anteriormente a rotação em Ortopedia é enorme, entram, saiem, é sempre a abrir, um pequeno ponto só para chamar a atenção, nem todos vão para lá por acidente de carro e/ou de mota, apesar de estes se calhar serem em número muito elevado.

Enquanto os meus dois vizinhos da frente se preparavam para sair, o grande Vitorino mantinha-se em alta rotação, até hoje não sei como as enfermeiras não lhe bateram, nomeadamente duas das mais velhas, aqui considero qualquer uma com mais de 30 anos dado o comparativo existente. Elas eram e são de facto muito novinhas, tipo carninha fresca para o assador....

O Vitorino com 55 anos parecia que tinha 15, de facto ele devia ter um ligeiro/grande atraso, provavelmente de familia, quando vimos o irmão chegámos a esta conclusão. Ele tinha uma tracção no tornozelo, basicamente um ferro que lhe atravessava a carne de um lado ao outro, o que o deveria obrigar a estar imobilizado, a perna a descansar numa esteira metálica, protegida com um resguardo. Pois o nosso artista ao segundo dia arrancou a tracção dizendo que queria ir para a casa, depois de rectificado conseguiu quase todos os dias arrancar, destruir os resguardos, as ligaduras, as compressas e qualquer outra coisa que lhe colocassem, passava os dias a rasgar para posteriormente andar a dar nós no material.
Mas tinha algo de sensacional, conseguiu estar 1 semana à espera que o irmão lhe carregasse o telemovel, o que para nós era positivo e também motivo de chacota. Durante este período estava constantemente a mudar os toques, a mudar tudo aquilo que fizesse barulho, mas o máximo era.......
Ele devia ter algum video caseiro gravado no telemovel, e quando as luzes se apagavam, ele via sem parar o dito, que por acaso emitia gemidos tipo ahahauiiuii ahaah, só faltava o dá-lhe fuerte carinho mio.
O menino como estava na ponta, corria o cortinado, e ia vendo o video sem parar, por alguns dos barulhos que entretanto se ouviam, eu desconfio, como alguns dos meus colegas, que ele eventualmente faria mais qualquer coisa, todos nós tinhamos urinois descartáveis com "bocas" largas, a partir daqui será a vossa imaginação a trabalhar.

Mas tudo isto piorou quando ele foi operado, lá voltaremos.
Entretanto o filho da Praia da Salema foi-se embora de andarilho e o amigo Carvalho estava por dias, este último não queria sair, porque a mulher também já era velhota e estava na casa de uma das 3 filhas, o que lhe permitia estar mais à vontade, quando saísse teria que ir para casa e trabalhar qualquer coisa, o que para um homem de idade com canadianas não é propriamente fácil.

Eu que o diga e sou um jovem...

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Uma pausa Laranja

A escolha entre os dois candidatos ao poder Laranja não era nada fácil.

Eu pessoalmente achei que não me devia dar ao trabalho de ir votar, apesar de ser daqueles que têm as quotas em dia. Tal como eu eventualmente mais 30 ou 40 mil companheiros de partido acharam o mesmo.

Um caga tacos, um boneco do contra informação, que até hoje não tinha conseguido fazer nada de util, aqui assumo que as duas eleições por nós ganhas, Presidenciais e Autarquicas foram ganhas pelas pessoas e não pelo partido.
Quer Cavaco Silva quer os candidatos a Presidentes de Camara ganharam pelo seu valor, e se mais não ganhámos foi porque a escolha do partido nos cabeça de lista não foi a melhor.

Ou um homem do Norte especialista em barracadas politicas, que teve o seu apogeu num congresso com a sua famosa frase, Sulistas, Elitistas e Liberais.

Claro que a escolha não era fácil, mas penso que quem votou escolheu bem, pelo menos teremos mais garra e vontade na luta contra um governo reacionário e a roçar o ditatorial.
Pode ser que o Homem de Gaia consiga voltar a trazer motivação e garra politica na condução do partido.

Uma pausa Leonina

Uma das coisas que me ajudava no Hospital era a leitura dos jornais e o poder visionar televisão, apesar de ter visto toda a MERDA que até hoje nunca tinha visto, e aqui vou incluir:
- Julia Pinheiro, Goucha, Rita Ferro Rodrigues, Fatima Lopes, João Baião e todos os outros que apresentam programas de diarreia mental, somamos a isto, telenovelas e entretenimentos sopeirais.
Claro que uma tv de 37 numa sala de 6 camas sendo que a minha era a mais longinqua de todas impedia a melhor visão, mas mesmo assim consegui ver jogos e imagens do SPORTING.

Hoje, ou seja daqui a 30 minutos, vamos começar o jogo em Kiev para a Liga dos Campeões, jogo dificil, nunca nos demos bem com os ventos comunistas de Leste.

Esta última semana e meia tem sido pródiga em roubalheiras, como dizia o 1º homem do sistema, o Zé do Boné roubos de Igreja.

Na Amadora duas vezes, na Luz, e em Alvalade os Bois de Preto têm sido de uma inteligencia rara.
Estamos de facto no mau caminho, mas parece que ninguém se importa, corre tudo como no resto do País, mal mas ninguém nota, ninguém faz nada para alterar.

Life is a Bitch

Os Colegas de Sofrimento - II

O piso 6 do Hospital de Faro tem duas especialidades, a famosa e muito requisitada Ortopedia e a Neurocirurgia.
No meu caso como diria o meu amigo Nuno M. - Canina - eu até poderia ter aproveitado as duas, safei-me por pouco penso eu, dado que não descobriram a tempo....
A Ortopedia em Faro tem de certeza a taxa de ocupação por cama mais elevada da hotelaria Algarvia, cama que vague é imediatamente lavada para que esteja disponivel para ocupar novamente, não para.

No caso do meu quarto assim foi, a rotação foi sempre elevada, saindo o Vasili, transferido para Loulé, veio um empertigado que tinha metido o braço numa maquina rotativa, só durou dois dias entre nós dado que foi transferido para um privado.

O Homem da Alfarrobeira, depois de nos fazer rir bastante foi substituído pelo José, um velhote que vinha rectificar a protese da perna, apenas um mês depois de ter saído do Hospital, ainda dizia que não tinha feito nada de mal, era estranho dizia ele.
Esta encomenda tinha uma faceta linda, mijava e cagava na fralda e esquecia-se de avisar as enfermeiras, que quando se abeiravam dele tinha a linda surpresa e tarefa de ter que mudar a cama toda, isto foi uma constante durante a sua estada, um disse que em casa a mulher acordava-o para que ele fizesse as suas necessidades.
Não será de admirar se imaginarem a mulher dele do tamanho do Rui Barros com um bigode fantasticamente farto, não era apenas buço, era mesmo bigode, a filha uma lourinha dos seus 19 anos, era a imagem perfeita da vaquinha fácil, bastava ver a forma como a menina se vestia e se bamboleava.
O José só gostava era de comer, deu-se ao luxo de ter uma embalagem de sal dentro do movel, não gostava de comida sem sal dizia ele...

Entretanto os meus vizinhos da frente também se preparavam para sair, estavam lentamente a habituar-se a andar de canadianas.

As enfermeiras também iam e vinham de férias. Boas surpresas foram aparecendo.
Ainda não sei se colocarei aqui o nome e o descritivo delas, não cheguei a tirar fotos, seriam umas valentes caseiradas..

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Os colegas de Sofrimento

Como referi anteriormente os primeiros tempos nos hospital não foram faceis, mesmo nada faceis....
Quando começamos a ter noção da realidade, daquilo que nos aconteceu (nada que não tivesse já ouvido ou lido em relatos de outros), do estado em que estamos, é que começa o calvário.
Independentemente da forma como acontecem os acidentes, e o meu em particular, somos sempre levados a pensar nos milhares de coisas diferentes que poderíamos ter feito para que isto não acontecesse. É a regra de ouro, sentimo-nos culpados, sem esperança, destroçados, a vida tem e faz pouco sentido nestas alturas.

No meu caso particular a tudo isto tenho que somar um conjunto de coisas muito positivas que me tinham acontecido nas duas semanas anteriores e que me tinham deixado francamente bem disposto e moralizado. Mas....

A cabeça trabalha a mil á hora, quando tentamos dormir é complicado, não conseguimos ouvir nem ver ninguém. Até que chega um dia que por uma qualquer razão a cabeça decide mudar, faz-se um clic e o Sol volta a brilhar.

Comigo isto aconteceu no final da primeira semana, independentemente de ter tido mais à frente dias também muito maus e complicados de passar.
Uma das forças que me ajudou a levantar foram os meus colegas de quarto. Como descrevi anteriormente eram 4 encomendas, o quinto que veio a falecer foi entretanto substituído por um outro, que tinha caído de uma Alfarrobeira, resolveu cortar um ramo que estava a fazer sombra ás Rosas da mulher.

As histórias sobre tropa, os contos sobre contrabando dos meus vizinhos da frente eram fantásticos, o Russo, o Vasili no inicio da 2ª semana, já noite dentro começou a gritar - Eu ir embora eu querer ir para casa, eu vou !!!!! relembro que ele dizia ás enfermeiras que não falava Português. Não contente com isto levantou-se em pijama e abalou, foi apanhado por um segurança e um enfermeiro já próximo dos elevadores, foi trazido para cima e colocado no duche de água fria (2:30h da madrugada) ,trouxeram-no para o quarto encostaram-no na bacia e pediram para espetar o rabinho, foi á moda antiga, levou uma valente seringadela, deitaram-no e disseram que já lhe traziam os papeis para assinar de forma a que fosse para casa, em menos de nada já dormia. De manhã quando acordou estava atado de mãos e pés á cama.

Claro está que enquanto decorria esta aventura nós, os outros "judeus", riamos que nem uns porcos, eu especialmente, com o belo sentido de humor que Deus me deu, avacalhava até ao osso. Foi memorável e ficou no Top 5 das histórias do Hospital